Ter site é mais importante que Facebook

20/07/2015 Planejamento, Redes Sociais, Reflexões // facebook

O Facebook é a rede social queridinha do momento e isso não é novidade. Mas será que é uma boa estratégia investir mais na rede do “tio Zuck” do que no seu próprio site ou blog? Você já parou para analisar as implicações de concentrar esforços em um espaço que não é seu? Pegue seu café e venha refletir com calma. :)

Imagem: kaboompics, uso livre.

Imagem: kaboompics, uso livre.

Você não controla uma rede social

Se o espaço não é seu, você não tem como controlar, não tem poder algum de decisão sobre ele. Você não decide quando e como os termos do serviço mudam, não decide quando a rede acaba, não decide nem que visual sua página terá.

 

E se o Facebook acabar ou perder espaço?

O Orkut era uma potência, durante um bom tempo nem visualizávamos como seria não existir mais o Orkut. Mas um dia ele acabou e todas as marcas que investiram mais no Orkut do que em seus próprios sites e blogs não só precisaram fazer um esforço hercúleo para atrair seus fãs para outros espaços como perderam muitos fãs nesse processo. Hoje não conseguimos imaginar o Facebook sendo encerrado, mas é claro que um dia isso pode acontecer. E como fica a base de fãs que sua marca construiu lá? Morre junto? Ainda que você tente levar todos os fãs para o seu site, muitos serão perdidos, tenha certeza. E mesmo não acabando, pode perder espaço para outras redes – o Instagram, que inclusive pertence ao grupo Facebook, vem ganhando cada vez mais atenção.

No seu site a conversa é outra: o endereço digital principal da sua marca não está à mercê de outras pessoas, é você quem decide se vai ou não retirar do ar. E, caso resolva retirar (não imagino bons motivos para fazer isso), tem no site um meio de comunicação mais eficiente para dialogar com seu público antes de encerrar tudo.

 

Mudanças no layout podem prejudicar sua comunicação

O formato da imagem de capa, a posição dos elementos da página, o tamanho das imagens que aparecem na timeline… Tudo isso pode mudar. E aí todas as montagens bacanas que você fez considerando os formatos adequados atuais podem ficar cortadas, feias mesmo. O limite de caracteres para o texto que acompanha o título dos artigos, na hora de compartilhar, pode reduzir e deixar seus resumos sobre o post cortados pela metade. Ou você pode ser um fotógrafo e, portanto, sua estrela no conteúdo são suas fotos, mas o Facebook resolve dar mais destaque para vídeos do que imagens e assim prejudicar a divulgação dos seus serviços. As possibilidades são muitas e tudo isso pode acontecer de um dia para outro, sem aviso prévio. Afinal o Facebook não é seu, então você não tem poder para decidir nada sobre como ele deve funcionar.

Seu site e seu blog não são assim, neles você tem controle absoluto sobre tudo, podendo inclusive publicar o conteúdo já deixando-o preparado para futuras mudanças no layout. Vou usar meu próprio blog como exemplo: você vê as imagens dos posts de um tamanho, porém esse é só o formato de visualização do layout atual, pois na biblioteca de mídia elas estão salvas em formatos maiores para o caso de, futuramente, ser necessário exibir imagens maiores. Existe um código determinando qual é o tamanho grande das imagens do layout atual, mas esse tamanho pode ser alterado para que as imagens fiquem maiores. Tudo isso alterando apenas o código, sem a necessidade de entrar em cada post já publicado para alterar o tamanho de cada uma das imagens. Não é muito melhor do que deixar o layout do conteúdo nas mãos de outras pessoas?

 

Mudanças no algorítimo pesam mais que mudanças no layout

Tivemos três mudanças recentes no algorítimo e elas interferem muito na maneira como o conteúdo de fanpages aparecem na timeline dos usuários. Conforme explicou Juliana Pixinine no TechTudo, a prioridade é mostrar conteúdo dos amigos próximos em detrimento de conteúdos de fanpages.

Para os usuários é ótimo, mas e para a sua marca? A disputa por espaço na timeline ficou ainda mais acirrada, o que provavelmente vai refletir inclusive no custo de manutenção da página (seu social media terá ainda mais trabalho, é natural que ele acabe reajustando os valores cobrados para administrar sua fanpage), além de aumentar a necessidade de pagar por anúncios na rede (veja as Políticas de Publicidade do Facebook). O tráfego orgânico já era desvalorizado no Facebook, agora ficou mais difícil ainda para as marcas, já que o controle sobre o conteúdo das timelines está cada vez mais na mão do usuário do que das marcas (pense como usuário e você concordará que deve mesmo ser assim).

 

Você não é dono do conteúdo que publica

Está lá nos termos de uso do Facebook, no tópico sobre compartilhamentos de informações e conteúdos (grifos meus):

Para conteúdos protegidos por leis de direitos de propriedade intelectual, como fotos e vídeos (conteúdo IP), você nos concede especificamente a seguinte permissão, sujeita às suas configurações de privacidade e de aplicativos: você nos concede uma licença global não exclusiva, transferível, sublicenciável, livre de royalties para usar qualquer conteúdo IP publicado por você ou associado ao Facebook (Licença IP). Essa Licença IP termina quando você exclui seu conteúdo IP ou sua conta, exceto quando seu conteúdo é compartilhado com outras pessoas e este não é excluído por elas.

Ou seja, o Facebook pode utilizar como quiser o conteúdo que você publica na rede, mas você não será remunerado pelo seu trabalho em criar o conteúdo. E ao criar uma conta no Facebook, você automaticamente aceita os termos de uso, portanto o Facebook pode usar seu conteúdo quando e como quiser sem ter que perguntar nem mesmo se você concorda com a maneira como seu conteúdo será usado. “Ah, mas ali também diz que se eu deletar o conteúdo, ele não poderá ser usado”. Só se não tiver sido compartilhado por ninguém, mas que marca publica conteúdo sem objetivar que ele seja compartilhado?

no seu site e/ou no seu blog o conteúdo é todinho seu. Os termos de uso são definidos por você, assim como a licença de uso e toda e qualquer decisão sobre todo conteúdo do seu site/blog. Todo investimento que você fizer (tempo, dinheiro, etc) retornará para você, não para uma rede social que não é sua. Aliás, falando nisso…

 

Não existe almoço grátis

O Facebook existe porque é rentável (muito rentável, diga-se), não porque seus gestores são pessoas super bacanas que desejam que todos possam se comunicar facilmente com amigos e familiares. E a rede é rentável porque estamos lá diariamente, publicando conteúdo e interagindo, nossa presença e interação tornam a rede atrativa para anunciantes. As marcas pagam para anunciar no Facebook porque nós, usuários, consumidores e clientes das marcas, estamos lá.

Isso por si só não é errado, inclusive porque há custo para manter o Facebook no ar (menor que o lucro gerado, mas ok), porém é importante termos em mente que não existe almoço grátis. Se você, usuário, está usufruindo de algo gratuitamente, especialmente algo tão grande quanto uma rede do porte do Facebook, é porque está, de algum modo, gerando lucro para os donos do serviço/produto do qual você usufrui.

 

Devo deletar minha fanpage?

Não, de forma alguma. Você sempre deve inserir sua marca nos espaços em que seus clientes e consumidores estão. O que não pode é deixar que um espaço que não é seu seja seu principal meio de contato com seu público. Não lembro mais onde li/de quem ouvi, mas é uma frase que cabe perfeitamente nesse caso: “não construa sua casa sobre um terreno alugado” (se essa frase é sua, ou se você sabe de quem é, por favor, diga nos comentários). Seu site e seu blog sempre devem ser prioridade, sempre devem vir em primeiro lugar.

O mesmo vale para quem, assim como eu, é profissional autônomo e usa o próprio perfil para divulgar seus serviços/produtos ao invés de uma fanpage: cuide bem do seu perfil no Facebook (e em qualquer outra rede que você também utilize), mas priorize seu site/blog. E para autônomos que usam perfis em redes sociais para se divulgarem profissionalmente, há mais um ponto que pesa ainda mais do que para grandes marcas: é muito mais fácil você ser encontrado por futuros novos clientes tendo um site com blog interno (através das buscas no Google) do que mantendo apenas perfis em redes sociais.

Por fim, deixo um artigo do Leandro Beguoci para o Gizmodo Brasil: Como o Facebook está se transformando na internet. O texto casa bem com o post de sexta passada (A internet é muito mais do que só o Facebook) e durante boa parte dele talvez você pense que não há saída e que é preciso se conformar que a internet esteja se tornando só o Facebook, mas insisto que leia até o final. Você entenderá que a internet não precisa (e nem deve) obrigatoriamente se tornar o Facebook. E o caminho para isso é, justamente, que priorizemos nossos próprios endereços digitais e direcionemos nossos amigos, clientes e consumidores para lá, e não para a rede do Zuckerberg. ;)

Está convencido de que deve ter um site/blog e priorizá-lo ao invés de direcionar a maioria dos seus esforços de comunicação e marketing para redes sociais? Como sua fanpage foi/está sendo afetada pelas mudanças nos algorítimos?

Por

Lis Comunello

Publicitária e Social Media. Curitibana perdida em Floripa, troco o dia pela noite, sou chocólatra e louca por gatos.

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