Planejamento de blogs e sites – Parte II

29/09/2015 Planejamento // marketing, target

O segundo post da série Planejamento de blogs e sites está no ar e é sobre público-alvo. Sim, eu havia dito que seria também sobre concorrência, mas somar os dois assuntos deixou o post ainda mais longo e, por isso, decidi dividir. Vem comigo! :)

Quanto melhor definido seu público-alvo, melhor para o seu planejamento.

Imagem: Ryan McGuire, em Domínio Público.

Público-alvo

Empreendedores novatos e blogueiros iniciantes geralmente resistem à ideia de que precisam definir o máximo possível seu público-alvo. É compreensível: ao especificar um público, ficam com a sensação de que estão dispensando outros perfis. Mas não é bem assim.

Quando você tenta alcançar todo mundo seu conteúdo fica muito genérico, assume um tom neutro demais, e assim acaba não alcançando ninguém. Além disso, determinar um público-alvo não significa que você vá recusar clientes que tenham outros perfis: se eles procurarem você, é claro que você poderá atendê-los.

Caso você pense “mas eu só tenho um blog para falar sobre assuntos que me interessam, não estou vendendo produtos e serviços”, então repense. Seu produto é seu conteúdo: os textos que você escreve, as informações que transmite, as imagens que usa para ilustrar seu conteúdo, etc.

 

Com quem você precisa falar?

Uma colocação importante: clientes e consumidores não são, necessariamente, as mesmas pessoas. Cliente é quem faz a compra, consumidor é quem consome o produto/serviço. Pense em fraldas descartáveis infantis: quem consome o produto são as crianças, mas quem decide e faz a compra são os adultos responsáveis por elas (mães, pais, etc). Mas se você tem um blog de maquiagem, por exemplo, então seu público predominante é composto por pessoas que são consumidoras e também clientes ao mesmo tempo. Já uma marca de brinquedos terá que falar com as crianças (as consumidoras) e também com os adultos responsáveis por crianças (mães, pais, tios, tias, avós, etc), pois são eles que decidem e fazem a compra.

Percebe como é importante identificar quem é seu público? No caso dos brinquedos, se você falar apenas com os adultos, como irá despertar o interesse das crianças? Você precisa saber com quem irá falar, para quem irá produzir conteúdo – e, caso seus clientes não sejam também os consumidores, talvez precise inclusive fazer dois tipos diferentes de comunicação, uma para cada público.

 

O que você precisa saber sobre seu público?

Quando você define faixa etária, escolaridade, renda, etc, não está apenas lançando dados aleatórios. Essas informações ajudam a identificar, por exemplo, quais os interesses do seu público, as atividades preferidas de lazer, com o quê gastam mais dinheiro, etc. Essas informações são muito importantes, pois são elas que determinam como seu público decide e faz a compra, seus hábitos de consumo.

Trace o perfil do seu público, conheça-o, descubra do que gosta – e do que não gosta também, é claro. Detalhe tanto quanto possível: faixa etária, gênero, grau de escolaridade, profissão, localização, influenciadores da compra/contratação, comportamento de compra (onde, quando e porquê), etc.

Especifique, também, quais são os clientes e consumidores atuais e quais são os desejados. Hein? Sim, é isso mesmo: talvez o público que a marca tem hoje não seja o público que desejado, acontece mais do que você imagina. E saiba que isso pode acontecer justamente porque, lá no início, o público-alvo foi abrangente demais e por isso a comunicação desenvolvida ficou tão genérica que alcançou quem você na verdade não queria e não lhe traz o retorno necessário para o seu negócio. Quem quer vender carros de luxo precisa saber conversar com quem tem interesse e recursos financeiros para comprar carros de luxo, certo?

 

Como usar as informações?

As informações coletadas permitem que você entenda melhor seu público. Para facilitar mais ainda, experimente criar uma persona: um personagem fictício que representa seu público. Qual a idade dele? Ele é estudante, tem grau superior completo ou já fez mestrados e doutorados? O que ele faz no tempo livre? Gosta de ler? Que tipo de música curte? Como escolhe de que marcas irá comprar o produto que você oferece? Em quais dias e horários ele costuma acessar sites e blogs do interesse dele? Via desktop ou mobile? Que estilo de site/blog ele gosta?

Criar uma persona ajudará você não apenas na hora de definir a linha de comunicação geral da sua marca, mas até mesmo na hora de decidir uma pauta para o blog, as imagens que ilustrarão seus posts e se aquela piadinha cabe ou não no meio do seu texto.

Uma coisa é vender carros para quem gosta de fazer trilhas e enfrentar estradas de terra, outra é vender carros de luxo que os proprietários jamais colocariam em estradas esburacadas e cheias de barro. Mesmo assim, se o proprietário de um carro de luxo quiser comprar um 4 x 4 para enfrentar estradas esburacadas é claro que a concessionária não irá recusar. Priorizar a comunicação com um determinado público não significa desprezar outros clientes em potencial que tenham um perfil diferente.

Trouxe para você dois artigos recentes que exemplificam a importância de conhecer bem seu público para saber conversar com ele, ambos publicados no Meio&Mensagem. O primeiro, Cliente de alta renda exige nova linguagem, explica que a comunicação dos bancos com o público de alta renda não está tão atualizada: antes esse público queria ver luxo e com toques de ostentação, mas agora está mais interessado em simplicidade, praticidade e inovação – e essa mudança se deve ao fato de que, atualmente, o perfil desses clientes é cada vez mais jovem, ao contrário de antigamente.

O segundo artigo, Sua marca sabe dialogar com a mulher?, apresenta o resultado de uma pesquisa do Think Eva sobre a percepção que as mulheres têm a respeito da publicidade: se são ou não retratadas e como. O texto começa falando sobre comerciais de cerveja e é fácil entender o ponto: você deve conhecer muitas mulheres que gostam de cerveja, mas experimente perguntar o que elas pensam sobre como são retratadas nos comerciais de cerveja. Nenhuma mulher gosta de ser mostrada como um pedaço de carne que serve apenas para apreciação masculina e apelo para vender cerveja.

Portanto conheça seu público, pesquise o que ele gosta e não gosta, o que quer ou não ver na comunicação de uma marca e, munido de tais informações, trace um plano de comunicação que encante e retenha, não que afaste e, pior ainda, gere apedrejamento nas redes sociais.

E então, ficou clara a importância de definir público-alvo? Se você tem blog por hobby, conseguiu fazer as devidas analogias considerando que seu produto é seu conteúdo? Qual sua experiência na hora de definir um público-alvo e desenvolver conteúdo para ele?

Por

Lis Comunello

Publicitária e Social Media. Curitibana perdida em Floripa, troco o dia pela noite, sou chocólatra e louca por gatos.

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